O renomado Benedito Ruy Barbosa (1931-2026) deixou um legado marcante na teledramaturgia do Brasil ao criar sucessos de audiência, como O Rei do Gado, Terra Nostra e Renascer.
No entanto, os bastidores de sua extensa carreira na TV Globo guardam mistérios que permanecem ocultos.
Dentre os projetos significativos de sua autoria, três foram abruptamente arquivados e rejeitados pela alta administração da emissora.
As obras que nunca chegaram ao público incluem a minissérie sertaneja O Cerco, a novela das seis com elementos polêmicos e místicos intitulada E Se Ele Voltar?, além da comédia urbana O Último Beijo.
Cada uma dessas produções possuía a assinatura inconfundível do autor, mas esbarraram em obstáculos internos, crises nos bastidores e desentendimentos severos com diretores de dramaturgia.
Clone de Jesus e confronto com Silvio de Abreu interrompem horário nobre
Impulsionada pelo estrondoso sucesso da novela bíblica Os Dez Mandamentos, a Globo recebeu de Benedito a sinopse de E Se Ele Voltar?.
A narrativa girava em torno de dois médicos que encontravam um fragmento do Santo Sudário em uma praia.
Por meio da manipulação genética, eles tentavam isolar o DNA de Jesus Cristo na esperança de cloná-lo nos dias atuais.
Esse projeto gerou uma intensa disputa nos bastidores entre Benedito Ruy Barbosa e Silvio de Abreu, que era o diretor de Dramaturgia Diária da Globo na época.
Silvio rejeitou a sinopse, argumentando que mencionar o carrasco nazista Josef Mengele associaria a história ao nazismo.
A indignação de Benedito foi tamanha que ele rompeu relações com o diretor. “Esse cara não pode ler sinopses. Não entendeu nada”, declarou o veterano à época.
Benedito exigiu que Abreu não tivesse mais acesso aos seus textos, o que levou à sua migração para supervisionar Velho Chico (2016).
Do sertão baiano com José Wilker à comédia urbana recusada no horário das sete
Ainda na década de 1990, o autor tentou lançar a minissérie O Cerco, inspirada em suas experiências no sertão da Bahia.
Com planos para contar com as atuações de José Wilker, Leonardo Vieira e Fernanda Montenegro, o roteiro seguia a história de um chefe de família cercado pela violência dos cangaceiros e pela corrupção policial.
Apesar do auge do sucesso de Renascer em 1993, a Globo decidiu engavetar o projeto sem fornecer explicações ao autor.
Nos últimos anos de sua carreira, determinado a quebrar um tabu pessoal — nunca ter escrito uma novela para o horário das sete — Benedito apresentou O Último Beijo.
Co-escrita com seu neto, Marcos Barbosa, essa produção tinha um tom romântico e urbano, desviando-se do ambiente rural que caracterizava suas obras anteriores.
Entretanto, a emissora recusou novamente sua proposta. Pouco depois, problemas de saúde levaram o autor a se afastar definitivamente do cenário artístico brasileiro.
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